*J'ai peur de devenir un adulte sans rêves*
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Confesso
Tiro as vestes. Nua, entrego-me, veja por inteiro! Exponho tudo, será verdade? Mostro o que sinto, digo-te sem medo o meu segredo... Você pálido age como se fosse impossível, ilusão... Me vira as costas, verdade descartável, e o que todos sabiam se concretiza... Perdi você meu caro!
Essa hipótese me tira as forças, vou desaparecendo, dissipando... Escolho manter-me firme, calada, para que eu deguste pelo menos essas pequenas porções, doses homeopáticas de você!
As vezes creio ser o caminho certo, esse ter que contentar-se me incomoda, por vezes retrocedo. Em alguns momentos quero acreditar que já tenha conhecimento, isso seria um alento. Me diga que compreendes, que aprecias, que quer desfrutar do mesmo ponto! Isso me bastaria, um toque e me dominaria... Ou simplesmente pare de ser tão amável, meu amor, pelo menos me tire as dúvidas, pois a cada segundo vejo-me perdendo a cautela... E pior que ter-te aos poucos é essa dor branda, rareada por você.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
"A realidade não é o que parece"
Injusto. Porque peças estão no encaixe errado? Pérolas aos porcos mais que ditado é fato. Com a respiração vem a pontada aguda. A garganta arranha, os pés tocam o presente imundo, quem de nós mergulhará, tocará no fundo?!
Agora ela abre os olhos. Espanto. Pobre coitada achava que se enxergava. Apontava o dedo, também estava errada. Uma pseudo-revolucionaria. Uma dose de auto-piedade, uma nova voz, um grito. Não existe nada que abafe o som de olhos e ouvidos. Arrependimento.
Agora encara a claridade. O costume trás a liberdade de olhar. Além da guerra, agora tens a arma. Deixa pra depois o que te prende, e que esse depois jamais te encontre.
Ela já não deseja cercado branco. E o único ritmo que lhe apetece é o dos pés ciganos batendo na areia, espalhando centelhas, fazendo breves promessas, juras imediatas... Que tudo se transforme, que o lado bom nos ache, que os iguais se salvem, que a geração trocada não morra.... E que o resto exploda!
dor
Tira isso de mim. Esse desejo exposto ao sol que faz queimar... Hoje estou assim, aqui fechada mas louca pra evadir. Andar por aí, passando debaixo das mangueiras, sentindo o vento e a vida, sem pensar no tempo. Queria estar com ele, que bobagem a minha...
Tirar-lhe da cabeça se torna uma opção mais difícil e inútil a cada vislumbre. Cogitar parar de escrever sobre, mesmo que sejam bobagens românticas, me faz cada vez mais triste. Já que não posso expressar-lhe então que eu consiga transformar tudo em algo alheio a mim.
Sim, alheio... Porque quando escrevo, e como escrevo, pode tanto ser por prazer, por tédio, ou para tirar essa chama de meu centro. No seu caso, meu caro, escrever para ti que não posso dar rosto ou nome me faz ter um tanto mais de calma, não paz, nunca paz, mais algo que acalenta. Jogar esses pensamentos, sentimentos, desejo, tudo fora de mim, apesar de me sentir mais pressa a cada palavra. Vomitar minha angustia por saber meu triste fim...
Eu que sempre fugi, nunca me prendi, dispersa do mundo, querendo passar por tudo de uma vez me vejo agora parando em ti... Como me sinto idiota. Me sinto mais que isso, me sinto uma garotinha, um perfeito clichê!
Se eu pudesse... Ah, eu arrancaria com as duas mãos meu coração confuso e covarde, e seguiria em frente assim.... Sem dúvidas, sem medo, sem sonhos bobos e sem você!
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Vestido
Vi o que lhe fizeram, e não pude reagir. Atiraram água benta para tirar visão. Quiseram te mudar, metamorfosear, em nome de Deus. E porque? Pra que meu Deus?
Te apontaram nas ruas e tentaram calar. Deram milhões de nomes para ludibriar. Riram e fizeram piada, mas quem são os palhaços?
Te usaram, comeram, cuspiram e agora se acham limpos?! Esconderam tudo aonde... Ah, a velha arte de jogar pra baixo do tapete...
E essa raiva, toda ira direcionada como tiros que vão direto ao coração de quem só quer amar...
Essa pele é só pele. Essa carne é isso. Sem o sentimento e o movimento o que resta é morte, Um monte de nada sem porque. Deixe ser...
Não se limite a transparecer o que dizem ser correto, e se isso é o que quer não crucifique quem prefere se jogar, viver o que deseja com a certeza que dessa vida o que fica é nada, nada além do prazer de ter vivido!
Então cresça. Cresça até não aguentar mais. Habite esta pele por inteiro. Cada um no seu, ou todo mundo onde for aceito. Se a língua valer, poque não o beijo? Vamos experimentar!
hors de moi...
"Não vou me adaptar,
Muito menos me desesperar.
Há uma razão de ser para habitarmos este planeta, objetivo definido, missão a cumprir?
Afinal, qual é nosso papel?
Sei não,
Só sei que não vou me adaptar!"
Bem, até agora recolhi milhões de amostrar pessoais e um certo tópico me instigou e explicou alguns outros... Não posso dizer que minha infância foi maravilhosa ou terrível, pelo simples fato de não recordar-me de nenhum acontecimento anterior aos meus quatorze anos, ou pelo menos não com clareza e na linha do tempo. Mas em minhas poucas memórias soltas tenho a sensação que não foi lá essas coisas... Sei que eu era o patinho feio, e que as pessoas não falavam muito comigo, é claro que com o tempo eu contribui me tornando uma eximia ante-social. Minha auto-estima nunca foi boa, acho que até hoje me sinto triste com coisas em mim, físicas e as vezes mentais... Mas a diferença é que agora luto contra, ou tento.
Não lembro de ter encontrado alguém com idéias sequer próximas as minhas, era muita bobagem, muita falta do que pensar, do que querer, sei lá. Então me fechei cada vez mais em meu "Fantástico mundo", que era tudo, menos fantástico.
Creio piamente que aprender a viver sozinha tem prós, mas prefiro focar nos contras, porque eles me perseguem. E tratando do que mais tem me importado no momento, cheguei a conclusão que acabei uma pessoa extremamente egocêntrica, outro mal que venho matando aos poucos desde que me dei conta a uns anos atrás. Não é fácil, não é só um anexo facilmente destacável e sim parte vigente de meus atos e personalidade. E mostro isso em pequenos detalhes...
Não consigo escrever algo que não seja meu, mim, preciso chorar minhas dores e externar o que nunca pude, ou quis... Sempre digo que quero absorver o mundo, misturar, mas agora vejo que não seria pra me acrescentar em si, apesar que essa seria uma das óbvias consequências, e sim porque a partir daí o mundo faria parte de quem sou e então se tornaria mais sedutor, interessante, escrevivel!? Se é isso então me entristeço por ter acreditado que estava me adaptando, quando na verdade venho andando na contra-mão de minhas atuais ideias...
Voltando a mim (que novidade), sei que sou tinhosa, e nem acredito que de fato queira me misturar, adaptar, mas também não quero me deixar vencer por nada disso, quero derrubar as barreiras, de fora ou dentro, então espero conseguir expandir minha visão de mundo, e nesses anos que se passam continuar aprendendo, como já venho, a me importar com o que me rodeia, e de fato é importante, sem perder a individualidade que me marca, mas transformando-a em algo que venha a meu favor.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
"Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios..."
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios..."
Não pode ser, custo a crer, não posso ter... Se quero sentir, devo fugir. Eu sei!
Algo em mim pulsa, me empurra, me alegra... É momentâneo... É simplesmente errado.
Meu desejo é pecado. Pecado de perda. Um erro e tudo se põe. Fim.
O que sei é que não posso deixar, uma tortura é limitar e me fazer resumir a meras palavras.
Essa minha vontade, essa minha explosão, sinto que não é pura vaidade, queria deixar-me em tuas mãos, apenas cuide de mim.
Mesmo que não seja o que quero ouvir, que saia da tua boca.
Que invada a minha. Textura. Gosto. Apenas posso deduzir... Triste.
Reprimir... É tudo que não quero. E é tudo onde me agarrarei, e farei para simplesmente não confundir...
Meu caro, meu corpo exprime quando queima o que queria dizer, tremendo a simples possibilidade, apesar de que suponho indizível o que desejo ter. Porque o que eu quero de ti não é pura carne... Não! É tudo. Porque pele eu encontro nas esquinas, vendidas a preço baixo, exigindo em troca o troco, moedas de latão... O que espero de ti é corpo e mente, e conselho, o doce e o ardente, pois cobra e pede de mim o melhor e o mais difícil. E em ti tudo se torna admirável... Mas creio que devas ter por mim afeição cordial, e eu devo ter-te como ser contemplativo, inexplorável, platônico... Enfim, impossível!
terça-feira, 15 de maio de 2012
Velhas novidades...
DE UM ETERNO DIVAGADOR...
Amanheci trocada. Parece que em mim algo faleceu, se perdeu entre minhas idéias... Estou tremendamente incomodada, como que milhões de olhos me analisassem os males.
Amanheci trocada. Parece que em mim algo faleceu, se perdeu entre minhas idéias... Estou tremendamente incomodada, como que milhões de olhos me analisassem os males.
Estou morta, triste, nem sei de onde isso surgiu, estranho!
Ando escrevendo pelo simples ato. Já não carrego o mesma intensidade, tudo pra mim anda fedendo, tudo é lixo.
Ontem caminhei sozinha, estava exausta mas caminhei. Sentei-me em um banco debaixo de uma árvore velha e escura, acendi um cigarro, traguei e abri o caderno... Meia dúzia de palavras... Escuro, crianças, melodia, fumaça, mesmice e mais algumas... Foi uma sensação nova, sair do mesmo para escreve-lo, deveria sentir-me feliz... Ou qualquer coisa próxima disso. Mas não!
Respirei e fiquei olhando atentamente pro campo, tentando com todas as forças tirar algo dali... Nada! Foi insatisfatório, mas sem dúvida foi o vázio mais gostoso que tive nos últimos tempos...
Quase um Segundo...
"As vezes te odeio por quase..."
"Tudo, que não me deixa em paz"
"Prendia o Choro e aguava o bom do amor..."
Uma procura tão longa por um momento tão ínfimo. É triste ver como entregamos os pontos por tão pouco, tão fácil. Eu procuro por instinto, caçador de mim vou. Sem sentir o sentido seguindo.
A ferida aberta revela mais que a carne exposta. Liberta e mostra nítido sentimento, dor, melancolia, peso.
Enfim algum sentimento... Perda.
Você que veio e desorganizou, mexeu, sentiu, sentimos... Mas veja que sua qualidade era tal que não sei como me tomou. A verdade é que a necessidade criada me dilacera agora que já não possuo aquele amor. Sinto falta de risos naturais, de beijos nem um pouco carnais, do calor, do conselho, dos problemas.
Agora que o sentimento ruim dissipou sinto algo pior. E como poderia eu supor, prever o que viria depois... Depois da mentira, depois da verdade, do estopim. Do orgulho que possuímos só sobra duas carcaças, carapaças escondendo sofrimento mútuo. Fazem poucos minutos que viramos as costas, que viramos passado... E já sou assim, extremista, dramática, solitária, nos conhecendo, íntimos da empáfia, não deixamos pra lá, não nos deixamos voltar atrás, voltar pra nós...
Enfim, palavras escondidas, secretas de um alguém qualquer as traças, na sarjeta do sentimentalismo barato, com a taça meio vazia e um cigarro meio molhado, de baba e lágrimas de quem vai te amando depois do ódio agudo...
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Sophia.
Finito. Eis que acaba o açoite da carne. O cheiro de vinagre exala e os risos desvairados rompem o silêncio. Pequenas gotas carmim de sal desenham o chão, as velas revelam as sombras... Trepidam em rodas de crianças, crianças que cantam e rodam. Os risos. Ninguém desistiu.
Sobre a grama verde um homem livre, o sonho, sem tiras de couro, com o couro intacto... E tudo ali iluminado.
No quarto vazio a brisa chorosa. Única testemunha. O crime. Ela se jogou do 9º andar.
A carne, o sangue, o homem no chão. Vivo.
A grama, o homem, a iluminação.
O quarto, a brisa, a morte.
Morte.
Sobre a grama verde um homem livre, o sonho, sem tiras de couro, com o couro intacto... E tudo ali iluminado.
No quarto vazio a brisa chorosa. Única testemunha. O crime. Ela se jogou do 9º andar.
A carne, o sangue, o homem no chão. Vivo.
A grama, o homem, a iluminação.
O quarto, a brisa, a morte.
Morte.
Não se sente tormenta que não seja a interna...
Estou suspensa. Essa é a sensação. Dois ou três finos fios que vão me cortando e segurando no ar, mas já não sinto. Duas ou três gotas de esperança, água e sal, que não se sente... Não sente, nem bom nem ruim, nem nada.
Estou seguindo os trilhos porque são sólidos, eu estou presa. Quando um caminho é a única coisa que se apresenta o jeito é seguir. Mesmo de olhos fechados o sinto.
Estou calada. Cansada de reclamar o que não passa. Meus desejos, minha carne, minha alma. Ando frustrada, fraca, mas sentada confortavelmente nesse calma que me abranda e só piora tudo. Não gosto do tranquilo, do silêncio, só sinto vazio.
Está tudo muito simples, direcionado, todos os passos já marcados, não me sinto complicando nada, mas se descomplica perde o sal. Não serve. Sentir por sentir, querer por querer, viver sem viver. Máquinas programadas para seguir uma luz imaginaria que nunca se apresenta de fato, a ilusão de dignificação social. Tudo me irrita, mas ando sem forças para protestar. Me sinto como os outros, só aceito!
Ultimamente tenho chorado com as mão na boca, no canto mais longe da porta do meu quarto, pensei ter secado mas não! Ultimamente tenho ficado quieta e sorrido quando me lançam um olhar, concordado com a cabeça as piadas sem graça... Ultimamente tenho deixado de ser assim, como sou.
Nesses dias sem inspiração, a única coisa que me resta é lamentar. Em palavras que não se escrevem, nem se falam... Só molham o rosto e balançam o coração dentro do peito ferido e ensanguentado de vida morta.
Preciso te encontrar logo, antes que me consuma nessa desgraça auto-imposta, essa sentença solitária... Por favor me encontre...
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Peractorum...
Ontem tive mais um daqueles momentos extremamente agradáveis, daqueles que acessamos com nostalgia nos dias difíceis. Saí sem rumo com um velho amigo, relembrando tempos mais fáceis e como reclamávamos dizendo serem os mais complicados. Olhamos a noite e fomos levados as memórias de madrugadas em táxis, a ansiedade adolescente do que estava por vir, festas borbulhantes, champagne, alexander... Também lembramos o gosto doce do frapê de chocolate do S'il Vous Plaît, do vinho tinto, do blues e o ar parisiense de certas partes da nossa querida Belém, ela não está morta para quem quer viver a meia noite.
Entramos em conversas existencialistas como não fazíamos a muito, chegamos a conclusões que nada concluiam, rimos, nos emocionamos, tivemos epifanias, estávamos no café com arte... Construção antiga, um barzinho charmoso com velas, povoado de cerveja e cigarettes, de boa música, música calma, música de conversa, bossa! Falamos sobre relacionamentos, o medo de estar com alguém e o medo de estar sozinho, sobre o que nos trás inspiração, o que escrevemos, ou escreveremos, e pra que escrevemos, ou escreveríamos, sobre o que sentimos e o que queremos deixar na terra, fazer sentir, sobre o receio de um fim iminente mais próximo a cada segundo, sobre a complexidade humana, e a simplicidade. Divagamos entre tragadas conceituando opiniões politicas e sociais. Brincamos de tirar o rei de seu pedestal e no seu local colocar Chico Buarque, Gal Costa, Ellis... Bem, por fim voltamos! Mas ainda estamos lá... Sempre estaremos, é bom podermos nos encontrar nessas noites quentes de quarta-feira...
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Para os que pensam estar sós...
Nunca viram ninguém triste?
Por que não me deixam em paz?
As guerras são tão tristes
E não tem nada demais
Por que não me deixam em paz?
As guerras são tão tristes
E não tem nada demais
Me deixem, bicho acuado
Por um inimigo imaginário
Correndo atrás dos carros
Como um cachorro otário
Por um inimigo imaginário
Correndo atrás dos carros
Como um cachorro otário
Me deixem, ataque equivocado
Por um falso alarme
Quebrando objetos inúteis
Como quem leva uma topada
Por um falso alarme
Quebrando objetos inúteis
Como quem leva uma topada
Me deixem amolar e esmurrar
A faca cega, cega da paixão
E dar tiros a esmo e ferir
O mesmo cego coração
A faca cega, cega da paixão
E dar tiros a esmo e ferir
O mesmo cego coração
Não escondam suas crianças
Nem chamem o síndico
Nem chamem a polícia
Nem chamem o hospício, não
Nem chamem o síndico
Nem chamem a polícia
Nem chamem o hospício, não
Eu não posso causar mal nenhum
A não ser a mim mesmo
A não ser a mim mesmo
A não ser a mim
A não ser a mim mesmo
A não ser a mim mesmo
A não ser a mim
Pra vocês que se acham diferentes, que estão sem norte, sem sorte, sempre a procura de um desejo invisível eu digo não desistam, nem desanimem, nós estamos aqui!
Estamos em todas as partes, em todas as classes sociais, de diversas cores e crenças... Mas temos muito em comum! Vemos o mundo de um jeito diferente, sentimos a beleza e a dor de todos os tempos com o impacto de quem parece ter vivido tudo por completo, somos simplesmente sensíveis.
Adoecemos a alma com tanta frequência, mas somos fortes, lutamos. Choramos lágrimas de sangue e as colocamos no papel. Assim persistimos.
Buscamos sabedoria em lugares criativos, inesperados, e de fato por vezes chegamos a tudo menos uma conclusão exata, porém somos coesos, realistas, apesar de alguns incuravelmente românticos e muitas vezes dramáticos como eu.
Pessoas assim têm uma percepção diferente dos fatos, um saber muitas vezes desconsiderado, desvalorizado, sufocado, isso é triste.
Porque muitos de nós não destruiria o mundo com nosso conhecimento, no máximo destruímos a nós mesmos na busca, acredito que apenas praticamos a arte de contemplar, viver e ter discernimento.
Ao deus do Profano!
Me nutre, me leva, me faça poesias flutuantes. Joga fora o que está podre, fétido e preenche com saliva. Lambe, me cura as feridas, que a dor já não é motivo pra não querer. Compadece teu espírito, enxerga essa que vos fala com carinho, queira cura-la dessa vontade desmedida do que não se pode fazer.
Grava em mim cada palavra tua, e me torna mera boca falante reproduzindo qualquer coisa sem significado, que as minhas próprias já não tem sentido que não consumir-me a essência.
Me livra de mim!
Me tira das noites insones, das vestes escarlate, me eleva aonde eu possa ter clareza, mas não clareza demais!
Me tira de mim!
Dessa caixa de ossos e carne, que não sabe seguir.
Dessa cabeça fragmentada de pensamentos que não sabe concluir.
Dessa vida cheia de decisões que não sabe tomar.
Dos amores que não consegue viver.
Das dores que não consegue livrar.
Amém!
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Poesia Imediata
Não gosto do organizado, correto, ajeitadinho. Meu negócio é a bagunça, a mistura, de preferência de coisas que todos supõem heterogêneas. Tenho essa pretensão de querer fazer mil coisas ao mesmo tempo mas acabo me perdendo em tudo que faço, é um erro achar que é mero defeito, as vezes é na confusão que me acho.
Os outros me olham duro e de certa forma estão corretos, mas coitada de mim que não sei viver a regra. Até minha inspiração surge na inconveniência, na pressão, na pressa, quanto mais ócio me é atribuído menos escrever me interessa. Quando estou atribulada, atarefada é que a vontade me inventa de aparecer... E eu que me acostumei a não deixar a chance passar apenas acato ao desejo, até nisso, em minhas necessidades inatas, sou mimada.
Sorrio toda vez que escrevo essa palavra, acho que é pelo fato de não acreditar muito que a escrevo. Não gosto de me apresentar dessa maneira, na verdade acho que a palavra que melhor me define é agora, sim, é isso, sou imediatista.
Imediatista de conclusões, sensações, gostos e sons. Imediatista de sentimentos, de pensamentos e inspirações. E é claro que por ser assim a única coisa imediata que me rodeia são frustrações.
As vezes não... Neste texto decidi não lamentar lamentáveis histórias, ou reclamar desse mundo que não responde aos meus berros desvairados por atenção e um pouco de beleza.
Não!
Estas palavras que escrevo tão atenciosamente quanto o musico dedilhando seu violão, melodias em um barzinho sem iluminação, são para demonstrar minha gratidão. Agradeço ao tempo, e a experiência que ele carrega e me entrega, as histórias que me revela pra escrever, as mudanças de humor, minhas quatro estações e as mudanças que só são possíveis pela imutável realidade desse rio que é a vida, que esta sempre se metamorfoseando, mudando. Mas principalmente a paciência... Que esta garota do já esta aprendendo a ter.
Fecho os olhos quando tudo parece inacabado, torto, errado, não represo as lágrimas, imediatas caem, mas a brisa rara, rala em meu rosto me trás algum conforto, mãos e braços que me abraçam e secam meu rosto. Esperar é meu desafio, e a cada dia estou esperando na impaciência, minha arma é a contemplação, admirar é meu contento, e divagando sobre isso consigo conviver com meu amigo tempo.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
QUOD ME NUTRIT ME DESTRUIT II
Não preciso me encontrar. Eu já sei quem sou. Não busco nada além disso.
Estou satisfeita com minha insatisfação, e feliz por ser diferente.
Se viver até o fim, imaginar até o fim, gemer até o fim a dor realmentente inventada dessa pobre alma que vos fala significa perder todo o resto, aceito a condição.
E se sinto, vejo, vago, já não me importo com o pão. Quero o vinho!
Estou satisfeita com minha insatisfação, e feliz por ser diferente.
Se viver até o fim, imaginar até o fim, gemer até o fim a dor realmentente inventada dessa pobre alma que vos fala significa perder todo o resto, aceito a condição.
E se sinto, vejo, vago, já não me importo com o pão. Quero o vinho!
QUOD ME NUTRIT ME DESTRUIT
Sou perdida, dividida, quebrada. Todas essas verdades me constituem. Nada é fácil, simples ou calmo, tudo consome. Mas eu amo tudo, que mesmo doloroso me faz quem escreve esses textos confusos e repetitivos.
Tenho medo de tentar consertar algo e no fim descobrir que estava exatamente como foi feito pra existir, fazer analise e perder a inspiração.
Meu peito dói, voltei a chorar, no fim simplesmente quero me fechar, porque pior que não mostrar o que mais gosta em si e mostrar e mesmo assim não chegar a lugar nenhum.
Não o que quero, mas o que preciso...
As vezes penso em entregar-me a essa vaga e bucólica idéia que é viver o vázio, esse lugar tão acolhedor que é a ignorância de si. Sinto a pressão de não saber de mim mais do que posso simplesmente supor, asfixia, e me perder a cada esquina achando que poderia em outra qualquer me surpreender.
O que me resta é aos poucos ir montando um ser que é puro reflexo do que os outros podem ver, ou seria criar um que seja a pura imagem do que quero transparecer?! Enfim... E a partir daí achar que isso é saber.
Cada tentativa parece-me patética e inútil, visto que o mais próximo que cheguei foi lugar nenhum.
Passei noites pensando e criando, divagando, tentando fazer com que os outros me mostrem o que sou, quem sou.
Em minha cabeça agora um homenzinho repete infinitamente como um mantra estes fragmentos de pensamento "Menina, pequena, o mundo não gira ao redor de tua saia rodada ou teu coração partido. O teu ar não é só teu. Expande, aumenta, cresce, enxerga que o tudo na mão do tolo é nada, um dom pra uma garota mimada é capricho... Não deixa passar, não deixe-se perder. Ame com fervor o que tens de melhor a oferecer!"
Ando, fujo, de utopia a utopia vou seguindo. Meu abismo imaginário habita mais que o desejo involuntário de me jogar dos últimos andares dos prédios ou em frente aos carros nos momentos de tempestade. Creio que não seja só a gravidade me chamando, mesmo que sedutora, creio que há o motivo. Não quero cair no esquecimento, tenho a necessidade de deixar algo que marque a terra, anseio provar que não estamos largados no universo em milhões de fragmentos dispersos as simples vontades do destino, ou o que está escrito no grande e pesado livro de Deus.
Gravo, rasgo, fixo na carne em brasa, em folhas de papel ou nos gritos surdos dos meus passos o que amo, o que quero e busco, e mostro para crer que não sinto sozinha, interligamos. No cheiro de alma queimada carrego a esperança de deixar um pouquinho do que acho que poderia ser se fosse.
E ainda que esporadicamente sinta o cansaço de pensar e perca-me na distração das coisas banais, que ache que perdi o tino de meus poemas sujos, encantados poemas, espero que anjos vestidos de sabedoria e compreensão me levem de volta...
Um aviso, não me julgue, nem me mude, não me queira diferente, nem me cobre... Pois o julgamento é característica do que é divino e o mundano tem essa mania de tomar, a mudança é interna, o bem querer vem do querer como se é e a cobrança murcha a essência... Deixe fluir!
Mas como amigo, caro amigo, lamento informar-lhe que agora estas preso a obrigação de me ajudar, me abrir os olhos. Como eu sempre digo... Mesmo que eu não queira!
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