*J'ai peur de devenir un adulte sans rêves*

domingo, 26 de agosto de 2012

Desejo só mais um pouco de ópio, para nós dois.


Estou pensando em você. Hoje tudo me lembrou. As músicas. As discordâncias. Me deu uma vontade louca de escrever. Como naquelas manhãs de domingo. Quando depois de discussões e beijos, abraços escondidos pelos corredores, entrelaçados, me davam toda a inspiração de que precisava. Quando nos alimentávamos por inteiro. Corpo e alma. Vaga lembrança.
Tu e essa mania de tudo certo. Nenhuma gota de álcool. Nenhum trago de liberdade. Até tua libertinagem sempre contida. Isso mesmo que me irritava e encantava. E eu aqui, dormindo nas sarjetas. Com pensamentos ilícitos e a boca amarga. Ainda me cabe a pergunta: Quem estará melhor no fim das contas?
Você me deixou com os meus no momento em que eu soube que era tarde demais para ti, meu caro. Já não podes voltar, nem seguir em frente. Não tem mais encaixe. Nem em mim, nem no resto. E então chega a ser irônico que eu tenha te tornado ímpar, quando a proposta era enfim ter-te como par.
Não chore por mim. Nem sequer lembre do que houve. O teu pecado foi ter pensado que tudo estaria lá, te esperando na tua volta. E teu castigo é que de fato tudo esperou. Só você que não é o mesmo. Está morto e terminará enterrado neste mundo que um dia foi teu, o qual abandonou por nós, e retornou sem mim.
Quanto a mim, querido, ainda busco. Como sempre. Isso é só pra saberes, em algum lugar, que ainda não me perdi. Nem me vendi as convenções... E isso é só do que lhe acuso.
 Beijos, Sabina.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Sociedade sem alternativa.

Essa é para aqueles que nunca sabem. Nunca encontram. Nunca se contentam.
Em outros tempos. Outros ares. Outros corpos. Esse sou eu.
Ser flutuante. Vivente. A faísca da vida. Da alma um sopro. Da boca, seca, o gosto do desgosto.
Ração barata. Mente emergente.
Vida útil pautada nos tragos do baseado.
Ainda assim, meio que no desleixo o desejo latente.
É por isso que continuo meu nêgo. Te digo que a dor é efêmera. Um dia tudo se vai. Mas enquanto o ar insiste em invadir este pulmão estou designada a lutar.
Sabe, vou andando e falando. Te contando que as vezes canso. Então pra acalmar os ânimos dança comigo,  roda até que a volta crie forma. Visível.
E mais uma vez caímos. Sucumbindo ao esquecimento. Luzes coloridas. Felicidade sem motivo. Na fumaça nos esquivamos, camuflamos. E tudo é nada. Nada demais.
Um dia desses te trago de novo...
Comigo.  

domingo, 12 de agosto de 2012

Aos amigos. Aos desabafos, risos. E aos cigarros de sábado à noite.


Assim me vejo divagando nesta madrugada insone o significado das coisas. Pergunto-me o que teria feito pra sofrer tais agonias e com igual surpresa a pergunta se repete em relação as bênçãos que tenho recebido.
Meus amados. Nossa ligação é tão forte quanto as dores que não deixam dormir. Assim como nosso desejo de amar tão enraizado surpreenderia qualquer um que visse nossa pouca idade. Um peso tão grande que parece trazido de outras vidas. Quase tão grande quanto nossa vontade de viver são nossas questões tão mal resolvidas.
Entre certezas e dúvidas todos temos a mesma dívida. Um por vir que segue esta vida não vivida. Eu sei que viveremos.
Nossos encontros. Nossas palavras. Unidos criamos uma base forte. Não para represar as mágoas, mas para deixa-las fluir. E a cada passo dado um cuidado, um saber da importância de si pelos olhos de quem só vê em ti amor. Amizade.  
Corajosos somos nós, que admitimos a agonia de não saber ou de saber demais. Que abrimos as cortinas que nos limitam, cegam nossas percepções. Que gritamos sem ligar para os olhares reprovadores. Nos deixamos cair. Viver a melancolia da mesma forma que abraçaríamos um dia ensolarado de domingo. E depois levantamos. Superamos. Sabemos que viver é uma dádiva. E esperamos o melhor a cada esquina, mesmo que as ruas anteriores tenham deixado feridas. Mesmo que elas ainda estejam um tanto abertas.
Esses dias que Deus me dá um motivo tão sublime. Uma inspiração tão simplesmente surgida do amor que lhes entrego. Ah! Esses dias me fazem querer existir.
E flores surgem para justificar os espinhos.
E no fim de tudo isso, creio que simplesmente gostaria de dizer “Devo meu melhor a vocês caros amigos”

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O assassinato da flor.

Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim...
... Estou em milhares de cacos.




Você disse "me deixe em paz". Não com essas palavras, mas foi o que ouvi. Nem por um segundo pensei em reagir, você me tirou as forças e pra não cair simplesmente respirei e sorri. Sarcasmo sempre foi meu escudo, minha proteção. E mesmo deixando tudo de lado naquele instante lá estava ele no meu casulo de solidão.
Não lhe cobro nada. Nem meu amor perdido. Parece-me que esse já foi jogado na lata do lixo.
A falta que sinto não posso negar. E nem que quando por um segundo você vacilou e pareceu querer voltar eu quase. Enfim. Já sei o fim e mesmo que eu estique essa situação o fim ainda estará lá. Esperando.
Prefiro então, dizer-te "Não te amo" e deixar você.
Como pôde me dizer aquelas palavras? Como pude acreditar quando disse que não me magoaria, não me deixaria assim? Mas acabou sendo a pior decepção. Mas acabou me atirando no chão. Na lama. No drama.  Sabe, eu sou forte. Eu sei que isso vai passar e vou ficar mais forte. Mas no momento tudo isso me parece um desejo utópico.
Não existem lágrimas que lavem e levem tudo isso, então escolho não chorar.
Mais uma fase. Mais uma vez. Recomeço.
Você não me tirou quem sou. Foi embora antes. Não tenho palavras que expressem o que sinto. Vazio. Escuro. Triste. Inquieto. Eufemismo barato de uma escritora sem adjetivos suficientes!
Eu espero sinceramente nunca te esquecer. E nunca mais cair no mesmo erro. Assim como também desejo florescer na próxima primavera e te ver chover de arrependimento quando não forem teus mas os meus frutos.
Eu te amo. Eu te odeio. Eu te desprezo e preciso de ti com a mesma intensidade. E ao tentar me controlar vou consumindo-me em desespero.
Espero que pelo menos um de nós esteja satisfeito.

sábado, 28 de julho de 2012

Por baixo da pele.

Estou cansada de tentar lutar contra essa apatia. Me sinto nauseada com a ideia de levantar da cama pela manhã. Ando pelas ruas e marco encontros. Bem, nada disso me anima. Nada significa.
Até meus amigos estão fadados a sorrisos rasos, a desculpas tolas. Venho me enterrando a cada dia nessa grande falta de vontade.
Sinto-me abandonada. E não há etílicos ou químicos que me estimulem. Vejo-me enfadada da vida. Essa que me norteava e fazia sentir agraciada pela simples existência. Agora cada olhar nada mais mostra que mais uma perda de tempo. Perda de tino.
Até as brigas tolas, as pequenas esperanças e os caprichos gastos estão se esvaindo aos poucos pelos meus poros. Sou um recipiente com liquido volátil, entreaberto, espalhando pelo ar essa imensidão de nada que me constitui.
Gostaria de dizer que estou deprimida, chorando pelos cantos, mas não. Me sinto seca, sem perspectivas. Vazia no sentido mais sincero e meu único bem, esse que aos poucos também vejo se perder, é essa minha tara por letras no papel. A minha devoção por sentimentos registrados. Talvez esse seja meu meio de tentar lacrar-me nesse frasco da minha essência, ou pelo menos borrifar pequenos fragmentos de mim onde eles possam se fixar, perpetuar. Quem sabe?
Bem, agora vou voltando a minha rotina. Acordar, existir, dormir. No fim tudo leva a crer que isso nada mais é que morrer. Morrer por dentro. Morrer a cada dia. E nem se importar com isso.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Mais do mesmo.

Agora que o fato faz parte da história, é passado e por esse motivo imutável permito-me a pergunta: O que eu ganhei? O que me faz crer que isso é válido já que me sinto um tanto egoísta? No fim das contas estou exatamente igual mas de um modo completamente diferente.Depois de você, meu caro, fiquei definitivamente mais humana e apesar da decepção de não ter sentido tanta dor quanto esperava, tudo a minha volta toma um tom melancólico e até melódico de certa forma. Este fogo em meu peito não vai abrandar por mais que sinta a calmaria tomando conta dos meus pensamentos, mesmo sendo um tanto fátuo e talvez principalmente por este motivo eu sei que está encrustado de tal forma que nunca me deixará. Me vejo estranhamente aliviada com isso.
Minhas velhas falas chegam a ser confundidas com clichês tolos. Mas nunca experimentei assim de frente verdade tão sólida, e o gosto não é de todo mal. Realmente não me arrependo nem por uma fração de momento. Nem por uma lágrima. Nem por minhas entranhas que ainda se contorcem um pouco com a lembrança. Não fecho os olhos pra nada, nem pisco e ainda assim não estou maltratada, ofendida ou me enchendo de doces e lamúrias.
Enfim terminei de ler um livro, fui folheando e entrando na estória sem me agitar ou desprender. Sou tão grata a você que nunca sentirei o desprazer de ver meu amor transformado em ódio. E já não enxergo isso com maus olhos. Te amo, e nada do que tenha sentido, ou deixado de sentir prova o contrário, e por isso continuarei amando de forma afetuosa e sincera. Faz algum tempo não me interesso por sarcasmos ou vergonhas infantis. Continuarei seguindo carregando o melhor de tudo dentro de mim.
Enfim minha experiência provou-se gratificante. E depois de ver nosso tempo passar não me fechei novamente. Estou disposta a continuar sentindo e a me entregar a quem merecer.
Os amores são únicos. E tudo neles é maravilhoso, até as pequenas demonstrações de afeto e as grandes discussões entre lágrimas. Agora ao lembrar de você dizendo que não queria me decifrar, que estarmos juntos era tudo o que precisávamos percebo que não importa que eu nunca me encontre. Vou simplesmente continuar buscando. Porque você me ensinou que esse é o verdadeiro sentido da minha existência.
Beijos. Sabina.

Ps: Obrigada por me mostrar a porta de entrada. 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Lamento

E o que devo fazer? Se quando estou aqui, sozinha, só consigo pensar em estar com você. Minhas vontades não me pertencem e o que me resta é calar. Escutando as mesmas músicas de sempre me vejo obrigada a habituar novamente a solidão, velha companheira. E quando nos falamos sinto a saudade mais forte e mais forte também o desligamento. Sinto frio, e nas noites quentes derreto em lágrimas e uísque.
Sinto falta dos meus cigarros. Estou fechada. Só sinto saudade.
Queria ser mais do que sou. Conseguir viver dos meus sentimentos tristes e fazer a dor me trazer algum contentamento. Queria fazer com que o mundo apreciasse tudo isso e que seus pedidos não fossem tão convincentes.
Queria nunca ter recebido essa maldita música. E gostaria em nós todo sentimento que nela está posto. Gostaria de nunca ter lhe dado aquele pedaço de papel e que você ainda recebesse de mim cada traço do que nele era composto.
Agora estou indo embora. Estou acenando e fingindo sorrir. Espero que nos esqueçamos rápido. Que passemos logo. Que meu peito pare de latejar e meu coração pare de bater. A morte soa como lamentável alento.
Só o que busco agora é o que posso ter.
Meu bem.
Meu futuro.
Sozinha.

“E quando nos veremos novamente? Não sabemos. Hoje. Amanhã. Nunca mais. Não importa. É só tempo.”

sábado, 7 de julho de 2012

Efeito

Porque tudo esta diferente agora. Todos olham para você como animal no zoológico. Castrado. Cercado. E como deve proceder? Sua vida é como um relógio, um eterno tic-tac guia teus passos em direção a explosão de algo que está por vir. Muito próximo.

Andando pela casa, vejo traços de passos e gozo. Tento limpar mas nada é fácil, simples, válido. Já estou suja e mais profundo que chegue nada alcanço. É como querer prender fumaça, prende-la com as mãos. A alma simplesmente aceita e regurgita, continua alimentando-se de si, e de passos, e de gozo.

Uma imensa dúvida toma conta desse bicho inadestrável que pretendo frustrantemente. Uma presença vívida que esta de passagem pela minha mente, pela minha alma, pela minha existência cada vez mais subjugada, submetida às vontades da essência. Continuo perdida.

E o velho agradecimento pela inspiração anda cada vez mais raro. Rareado pelas consequências que este ser cheio de opiniões próprias vê chegar como ventania seguida de óbvia tempestade. A mais assustadora. Pois seus conflitos já não mais internos e apesar dela pregar a dor da alma, sentir na carne, experiência nova, lhe causa um temor duplicado, pois refleti-rá em tudo que a rodeia, e que constitue seu ser.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Viver não é sinônimo de enlouquecer...

Pare de procurar se encontrar. Não vê que já esta aonde deveria. Continue seguindo, todo mundo já percebeu que o que tu queres é se perder, e assim você faz festa. Se solta. Se deixa. Larga esse disfarce de lado e me segue de rosto limpo, alma lavada. Deixa essa tua insatisfação pra outra hora. Pessoas passam. Oportunidades também. Esqueça esse medo idiota e tire a roupa. O pudor tira a beleza da inspiração. Mostre suas cicatrizes pra quem quiser, afinal, as marcas da batalha significam que você sobreviveu, e sobrevive. Não tenha vergonha de surpreender, a verdade liberta, não te priva.
E quem mais vai te dizer que o importante é ficar calada, fechada, chorando atras da porta. Deixe de se esconder. Você não é assim.
Dá-me um motivo pra ir embora. Sabes quem sou, estou sempre contigo. Você me quis, me criou, se for capaz destrua então. Me tire do chão.
Está percebendo agora? Então já consegue me ver, já pode ceder. Nunca mais esqueça o que tem de fazer. Tudo foi lindo, apesar de sofrido. Não existem arrependimentos, mas cresceste, e ainda cresce. Agora continua teu caminho. Se livra dessa nostalgia que te paralisa. Esta é a próxima etapa. Sei que ao enxergar ficará feliz. O sol surgiu como prenúncio. Até logo


É fácil pra você?


Me ver subir até o alto pra então de uma vez só cair. Mergulhar fundo e descobrir que sem ar não dá pra continuar. Vender tudo e partir sem ter nem migalhas de pão pra te fazer me seguir. Me devorar e não conseguir digerir nada disso que sinto. Gritar e pedir pro escuro me devolver o que fui. Chorar como criança sem teto, sem verso certo, sem auxilio, alento. Atento.
Parece simples pra você? As decisões que devo tomar. Os sentimentos que preciso ocultar. O presente que necessito guiar. E pra onde eu vou? Pra onde. E porque?
Precisar é minha maior fraqueza. Admitir talvez me fizesse fortaleza. Quem sabe? Eu não. Nem você.
Quem sabe você e eu?!
Então é hora de dizermos adeus. E escolher cada um pro seu lado, e se o lado for o mesmo dedos entrelaçados e diremos juntos. Adeus pra nós ou adeus pro mundo. E eu pulo. E sigo junto esse está-por-vir que ninguém vê. Mas quem fecha os olhos e abre a mente sente.
Estamos aqui pra decidir os caminhos e aceitar o que aparece como fruto desse destino escolhido. Espero não me perder do que mais prezo. Rezo para este algo maior que milhões fazem existir. Peço que me faça ver o que espero, que o que quero se torne sólido, mesmo que eu não saiba exatamente o que é esse "o que".

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Insensatez

E o que é de fato verdade? Tenho pensado nas coisas que escuto e até no que digo. Me mostram o fato e basta que vire a esquina e tudo se põe, ou seria decompõe?
Sinto saudades do tempo que só tinhas uma face. Que era de toda confiança. Não se mascarava pra ludibriar meu coração. Não se empenhava em fingir afim de me devorar a alma, me devorar inteira.
 Eu costumava me proteger, eu olhava para os dois lados antes de pisar no asfalto quente. Agora corro entre as vontades que me atiram, deixo que me acertem. Que me levem. Aceito tudo por querer sentir isso forte.
Estou vendada e não importa o que eu faça não quero fazer nada. Não resisto. Vou descalça no meio da noite, na ponta dos pés, fugindo do inconveniente para encontrar o que me faz bem. Você.
As vozes na minha cabeça já não sussurram em meus ouvidos, elas simplesmente gritam essas delicias que procuro. Sei que não é minha razão que fala, mas sinceramente, ela nunca me serviu pra grandes coisas.
Lembro de vive-la. E quando estava por ela acompanhada eu mal respirava. Qual sensação poderia superar tudo o que já vivi por ser assim, como sou?
Meus amores. Motivos das felicidades e dores. Não me deixem não. Pois de nada serviria minha insensatez sem vocês meus queridos. Meus perigos. Minhas doses puras de prazer e satisfação. Com quem vou deixando sem pensar pequenos pedaços deste coração. Faça dele o que quiser, eu digo. E só suplico que por favor, não desdenhe, faça dele alguma coisa.
Quando é bom eu vivo. Quando é ruim me inspiro. De qualquer forma este sentir é lucro. Minha estrutura foi criada para assim ser. Querendo e existindo. No fundo do poço, da alma e no mais alto ponto dos sentimentos. Dos pensamentos.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Ato falho


Assim, perder a fé nos homens me faz mais santo. Mais focado em meus objetivos sem sentir este ar perdido que faz a relevância alheia ser maior que a minha. Se antes me fechava e cerceava as vontades para estar com quem julgava indispensavel, agora simplesmente vivo de forma clara o que quero, pois apesar de tudo em mim ser vontade de ficar o cansaço é maior.
Engraçado estar deprimido. Sempre que as pessoas no mundo se tornam decepção o mundo em si se mostra cheio de oportunidades. É como se eu me vendasse frente as coisas que poderiam me fazer melhor, só para permanecer igual e assim, quem sabe manter tudo a meu redor imóvel, imutável. Que tentativa estupida essa minha, mas creio que sou irremediavelmente assim, como sou.
Gosto de minhas palavras, de fato desferidas, sofridas. E apesar de saber que essas sensações são fases, venho aqui derramar lágrimas para me sentir mais inteira. Nesses dias escuros enxergo com a clareza que a frieza me oferece, e com isso começo a esquecer de tudo que me faz sofrer, ficando cada vez mais vazio, alheio a tudo, até que algum dia quem sabe algo venha me preencher.
Cor

Cinza

Cimento

Ciúme

Céu

Caído

Castrado

Cuidado

Coração

Cortado

Calejado

Corretivo,

Curativo,

Com

Cara

Caricata

Criam

Coragem

Cativas

Contidas

Concebidas

Cem

Conteúdo,

Crente

Creio

Constantemente

Crianças

Corajosas

Cresceram

Cerceante

Confiantes

Conflitantes

Conflito

Conciso

Confisco

Choro

Compartilho

Celeuma

Corro

Contra

Contudo

Cedo

Cedo.


Por: Jonathan Oliveira

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.


Um tanto feliz, um tanto frustrada, um tanto sozinha, um tanto enfadada. Eu gostaria que não me tivesse, não me atingisse, não entendo o que sinto. Não sou mais eu, no entanto ainda me vejo aqui, assim, lutando dentro de mim para voltar-me a meus desejos. É como se minhas vontades tivessem se concentrado em uma coisa só, um frasco delicado, que fracasso esse meu. As vezes penso em como adoraria voltar e fragmentar meus desejos, dividi-los em milhares de beijos, alheios. Gostaria de voltar a centralizar-me em mim.
Mas se isso é o que realmente quero porque simplesmente não o faço? O que quero vai além do que acredito, do que concebo. Fico pensando nos pensamentos de um velho amigo, personagem de uma ilustre estória. Gostaria que existissem universos paralelos onde eu pudesse viver a normalidade dos sentimentos que sinto, como sempre vivi, sem ti e também deixar acontecer este sentimento que me prende e eleva, que me faz tão triste e ao mesmo tempo supre, do qual não consigo mais me ver sem, mesmo considerando o adeus a cada segundo. Mas esses planos não existem. E não posso te arrancar de mim sem antes saber como isso vai acabar, ou continuar. Então minha escolha é me afogar, jogar nessa alegria, euforia tão forte que chega a machucar.
Quero estar ao seu lado, não resisto mais. Meu único medo é vir a querer demais. Estou tão confusa, tenho medo de ficar, tenho medo do não, tenho medo das tuas promessas, da descoberta e da solidão.
Como um ser sem conhecimento da importância de sua existência eu vou. Escolhendo os caminhos da minha natureza, sentindo o pesar dessa minha leveza. Sentindo encravar no meu peito as garras desse que tanto desejo, me vejo entregando o meu coração assim de bandeja, para ser devorado por inteiro, pela simples promessa deste olhar. A cada toque eu imploro que fique e que se dedique a querer me amar.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O amor; uma cura; uma casa e um lembrete.

Depois de passados quatro vezes pelas quatro estações... Nossa casa esta quase vazia. Pinchada de sentimentos que jazem na memória. Fantasmas constantemente confundidos com sombras. Comigo.
A cada estação uma nova ausência, dissecando a tão sólida fusão. Me deixando cada vez mais frio, ao meu amor necrófilico.
Eis a mazela de quem edifica uma alta construção sobre uma grande rocha. Aqui de cima parece não haver como sair. Enquanto a casa estava cheia nada importava.
Pra Sibéria não se mudar pra sala de estar o amor inflamou os móveis, comeu e bebeu. Agora quer me partir, as frias e poucas partes.
Aos que procuram cura, não esqueçam! O amor também é doença, te vicia, te isola, te subtrai e te aniquila.

Jonathan Oliveira
Dedicado a 12/06/12 =)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sobre la memoria


Me diga então as respostas certas. Guarde cores fortes e ventania pra nós dois. Faça valer cada fragmento pois eles custam caro.
Uma moça inerte olhando o pôr-do-sol. Em sua mente tudo vazio. A ultima lembrança da crença na felicidade.
Levanta-se. Já não esta lá. Cabelos caídos sobre o colo exposto. No breu do quarto um sorriso sutil, seguido de um suspiro pesado de aceitação e por fim arruma os tecidos que ornam o corpo. Seus dedos exploram as paredes como caricias procurando o interruptor, a luz. Acha-o.
Senta-se na cama. Levanta. Pega os sapatos de salto e batom, vermelhos. Cobre o rosto com maquiagem. Máscara. Olha-se no espelho. Sai.
Flutua até o bar mais próximo. Acende um cigarro. Cruza as pernas. "Senta aqui que hoje eu quero te falar, não tem mistério não, é só teu coração que não te deixa amar..." Uma lágrima de lápis preto desprende dos olhos, como pequenos pedaços perdidos, ou melhor, jogados fora. Sobras, restos que não podem ser vividos.
O dedo sinaliza mais uma dose de esquecimento, mais uma noite, mas uma.
"Me diz se assim esta em paz? Achando que sofrer é amar demais"


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Amorfo


Não poder querer mais que o casual é cruel. Vou seguindo e pessoas me apontam nas ruas, me sinto suja, despida de meus preceitos. Tenho a mais difícil das decisões, a mais dolorosa das conclusões, ando caminhando pra longe do que acredito. Esmurrando e afastando o que me faça parar. Acho que esqueci o sofrimento, e assim acabo por fazer sofrer, e não me afeto, não me compadeço. Que tipo de ser eu sou?
Não creio que agora sinta culpa, e por isso as vezes me sinto desumana. Acho que é só a lógica que me açoita em milhões de verdades cruas e claras.
Não existe solução.
Lembro das brigas, das juras, do choro baixo. Consigo até recordar o cheiro que senti. O gosto amargo das dúvidas. A insegurança.
E eu xinguei, berrei e chorei também... E agora aqui estou. Do outro lado do espelho. O reflexo de toda decepção que passei. Como mera espectadora, atingida apenas pelos cacos. Imagine ser tomada por inteiro.
Eu não suportaria sustentar os olhos dela. Eu não poderia mais voltar pra casa. Eu não engoliria em seco e assim morreria de fome e desgosto.
E agora de que vale tudo isso?
Esse sentimento que sufoca. Esse desejo de que tudo fosse diferente. Ambos sabemos que esta errado. E que se fosse certo provavelmente eu não ficaria, sumiria na indecisão e solidão, que nunca me deixam. Então creio que assim, acabaremos caminhando juntos rumo ao fim.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Desabafos dedicados ao moço da terceira fila, com o olhar profundo, maquiagem teatral, sinceridade visceral e uma amiga leal do lado...

Nosso relacionamento é assim. Ácido sobre a mesa de madeira nobre, dificilmente corrompível. Mas eu disse "dificilmente" e não impossível.
Nossas verdades atiradas sem pudor. Humor negro. Entendimento. Nós temos um propósito diferente.
Não há nada que não faríamos, que não compartilharíamos, juntos. Nos conhecemos, o bom e o tolo, o mal e o repugnante. E por vezes nos aproveitamos disso para comungar do veneno. Nunca estamos separados de fato, mas também, vez ou outra, a união se torna massante.
Jamais pensaria em dizer que não te amo. Porque a impossibilidade é extrema. Me pergunto como duramos tanto tempo, acredito que talvez se deva ao fato de que ninguém mais suportaria essas idas e vindas tão características.
Ainda pouco li sobre o fim, sobre as únicas peças certas nesse quebra cabeças desgastado e cruel que por vezes tem sido a vida, e você seria de longe minha maior aposta. Pois de tudo que preenche esse copo meio vazio que tem sido minha existência tu serias o bem que eu não suportaria ver passar. A magoa que não conseguiria aguar.
As vezes minha ausência de tristeza depende da tua alegria. E o meu sorriso brota da vontade de te fazer melhor.
Fico feliz que entre nós existam faíscas e que nossos elos sejam fortes, que toleres minhas burras infâmias e eu a tua personalidade seca. Que nos enxerguemos como somos. Defeitos, defeitos, sem excluir as qualidades incomensuráveis que me fazem te admirar. É só que as vezes me dói, e não posso ficar alheia.