*J'ai peur de devenir un adulte sans rêves*

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Bilateral.

Em uma carcaça demônios habitam. Se esgueiram nas sombras tentando encontrar.
Um motivo, um lugar, um caminho. Pra fazer sua vida virar.
Eu te amo assim sem porque, puro e claro. Saiba que meu sentimento é maior do que pode crer.
Mas lá no fundo uma voz me aconselha. E coisas terríveis desejo fazer.
Deuses de Ébano a minha frente. Em danças ilícitas a me derreter.
Eros e Huitaca me levam pra longe. É de vinho e carne que se faz o homem.
Minha promessa me pesa, o que devo dizer?
A cada segundo me sinto mais fraco. A cada segundo minha vontade cai pelo chão.
O cheiro dos corpos grita meu nome. E eu anseio provar mesmo que seja em vão.
Como contar-te agora o que sinto? Como mostrar que não muda o carinho?
É só que o mundo evoca o meu íntimo. E dentro de mim existe algo maldito.
Eu brigo, eu xingo, eu faço de tudo. Para prender-me olhando em teus olhos.
Eu sofro, eu choro, eu já não sei o motivo.
O medo de perder-te ou a privação do profano a este ser nada divino.
Deixar-te agora não é escolha. Levaria de mim a luz, o abrigo.
Tudo que tenho de bom em um suspiro, perdido.
Mas a cada dia fica mais forte o pedido.
E meu centro me faz cobiçar a luxúria.
Do pecado desmedido me torno escrava.
De joelhos vou negando o destino escolhido.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Um ano. E mais nada.

Me sinto presa. Dentro desses dias tão bem delimitados que não passam. Me perco mentindo que vou seguindo, na verdade vivo marcando o passo.
Me sinto distante. É estranho porque como disse antes vivo ligada, amarrada a esse instante. Como pode ser assim tão presente, aparente, se tudo que vejo é o vazio na minha estante.
Me sinto confusa. O que quero, o que sofro, o porque dessa suplica?
Me sinto pedante. Pra que tanto alarde, tanto barulho por uma dor que sustento faz tanto tempo? Na verdade faz parte, e em mim tudo se guarde. Porque por mais que eu grite, quem me interessa não liga, não me invade.
Me sinto desnecessária. Quando tudo que eu faço é sofrer calada, quando minhas amarras não sentem minha falta. Covarde que sou me faço de forte, coitada.
Me sinto sozinha. Meus amigos não me fazem carinho. Não percebem que é deles que preciso. E no fim passam os dias tão longe. Sem precisar de auxilio. Sem desejar. Eu.
Me sinto sem chão. Quando tudo que faço é sentir nostalgia. E perceber que tudo se perde, tudo caminha. E os velhos tempos ficaram pra trás.
Me sinto cansada. De ir e voltar tentando achar a resposta. De olhar o rio buscando a mesma fração de alegria. De vigiar o sono da minha angustia que acorda quando penso. Peno. Em agonia.
Não quero mais me sentir. Só busco agora distração. Se tem lugar pra onde ir, se não tem não busco explicação.
Os olhos e lábios vou contemplar. Não tenho palavras pra esperar.
E se tudo não passa de ilusão. Verdades imutáveis não entram nessa canção.
Foi tudo lindo mas agora adeus. Boa sorte e que mudemos de uma vez.
Que eu consiga me livrar dessa maldição. De tentar viver sempre a mesma emoção.
De vocês. De mim. De nós.
É a última estrofe. Acabado entre nós... E agora você liga?
E então?


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Por favor me escutem.

Se eu conseguisse fazer entender.
Algumas coisas maltratam meu coração, digo isso não por sentimentalismo ou para ficar dramático, mais por uma dor real, de um buraco que sinto nessa região e que espirra sangue e pus cada vez que alguém diz algo que não vai muito além de superficialidade (na minha opinião) ou de dogmas tão antigos que se enraizaram como ervas daninhas no coração das pessoas, pessoas boas até, que ficam cegas e sem saber se tornam ignorantes, intolerantes.
Pra mim as pessoas boas merecem ser felizes, gente que não machuca e não tem a intensão de denegrir nada nem ninguém. Se vocês soubessem, se vissem como é, então quem sabe.
Juro que não é uma tentativa de diminuir quem discorda ou de tentar aparecer, mas sinceramente, não acredito que pessoas escolham sofrer homofobia, e que não, não significa que ser diferente seja uma doença que necessita de cura (senhores pastores e padres). Acredito que as pessoas se procuram, e honestamente que não escolhem quem amar. Se ganhasse uma pessoa mais tolerante no mundo a cada vez que escutei de uma pessoa gay que preferia ser "do jeito certo" "gostar do sexo oposto", que simplesmente não pode evitar e que se fosse uma escolha não optaria pelo sofrimento. Então, minha gente, teriam tantas e tantas pessoas conscientes no mundo que me dá até vontade de chorar, de gritar de raiva. Mas não posso, ninguém pode, senão podemos ser atacados, as pessoas poderiam atirar pedras em nós, nos espancarem nas ruas, tiros, socos, escárnio, morte.
E o que fariam as autoridades? Não sei aí, onde você esta lendo, mas aqui eles pegam os corpos, jogam no camburão e levam pra não sei onde. Sai uma pequena nota no jornal, não encontram os assassinos (isso porque essa atenção só é dada em caso de morte, nada abaixo disso teria o impacto necessário), as pessoas se horrorizam por uma semana então esquecem e a vida continua.
E se horrorizam porque? Pelo assassinato em si e não pela intolerância, porque no fundo a maioria dessas pessoas é. Como me dói não conseguir conversar sobre isso nem com meus familiares, pessoas que amo.
"Bicha, Viado, baitola" Realmente é isso que vocês querem que as pessoas, seus filhos reproduzam?
Gente, nesse exato momento não quero que ninguém aceite, que ninguém pense que é uma espécie de apologia para "fazer a cabeça dos mais jovens, para faze-los "virar" homossexuais". Só quero que tentem conviver se não podem entender, que tentem respeitar se não podem aceitar.
Que deem o espaço que as pessoas, cidadãos como todo mundo, merecem.
Gays podem trabalhar!
Gays podem ter voz!
Gays podem viver em paz!
Gays podem querer constituir uma família!
Podem amar!
Podem andar de mãos dadas e se beijar!
Gays tem deveres para com a sociedades não por serem gays, mas por fazerem parte dela.



segunda-feira, 8 de abril de 2013

"Não tema! Esse é o reino da alegria"

Eu realmente não esperava chegar aqui. De cada passo mal dado que dei um bom destino enfim. E então parece que todos estavam errados e um monte de bobagens podem realmente te deixar tonto e perdido, aí você sem querer tropeça e caí de cara no lugar certo. No peito do amigo, e faz daquele corpo abrigo.
Então nada daquele papo faz sentido, e você tá pouco ligando pro vestido rasgado. Você não liga de ser tachado de puta, de vagabundo, de mendigo fora da lei. Você só quer abrir a boca e sentir o gosto da chuva na praça da república. Você só quer se esconder em um coreto e sentir o sal, o suor do teu amigo, do teu abrigo. Você só quer se divertir.
E uma coisa leva a outra, e outra coisa leva a um. E enquanto as mãos se entrelaçam e os pés sentem o chão gelado e um arrepio difuso, sem motivo claro, o frio ou a língua. A boca sem aviso acha a boca, sua igual, a língua sem surpresa invade. E a respiração entrecortada trás o movimento, o ritmo, a poesia esta na forma que se mexem no escuro, que se encontram na lama, na alma.
Seu corpo já não é corpo, você transcende. E responde sem nenhum medo, sem hipocrisia, sem respeito. Bate no peito e diz: Eu não sei o que quero!
Me deixe viver. Me deixe saber. Me deixe esquecer toda essa loucura, essa pressão de crescer. Parem de espalhar a palavra. O que é certo ou errado ninguém vai saber. Parem de empurrar e me deixem parar.
Senão eu forço a barra, corro entre os carros, me jogo, me drogo e tudo fica nebuloso.
Não me façam. Não me causem. Não me expliquem pra mim.
O sabor dessa vida concedida só eu vou fazer, só eu vou seguir.
E no fim o que me resta fazer é o que pinta na hora.
Essa foi minha hora de escrever. Pra não explodir, pra não enlouquecer.
Pra ser feliz. 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

E vai seguindo infeliz o mesmo ciclo.

Eu tenho medo.
Estou apavorada diante da inconstância.
Se o que te atrai é a simplicidade, te conto que as vezes ser rasa cansa.
Se o que te agrada é o frescor do hálito virginal das manhãs plenas de certezas,
Então te apresento a amargura das minhas tardes de dúvida, das minhas profundas tristezas.
Se o que te trás é o sorriso no rosto, o abraço quente e terno, o olhar compreensivo, o proteger que te dá paz, quase materno.
Agora meu querido lamento dizer-te que as vezes choro e fico fria, me desespero, machuco quem amo e não protejo nem a mim mesma.
Quanto mais o tempo vai, mais a chuva cai, mais meu peito dói.
Aos poucos os véus se dissipam e os corpos se identificam, e a imperfeição se torna real demais.
Com os dias é fatal o desgosto.
O que move o amor é o rosto, que carrega em suas memórias.
Cheios de saudosismo continuam a trilhar o caminho, seguindo a ilusão do passado, uma nova ilusão o destino.
Me trai, busca lembrança em outra casca.
Me ataca, me rasga, suga outra alma.
Cata juventude dos desavisados.
Seduz, és inimigo disfarçado.
Agora percebo a ironia que canto.
Se me seduz em olhar, te seduzo o mesmo tanto.
Se o monstro se revela em você, acabo por ter-te como espelho.
Se roubas-te a minha flor secreta, roubo mil outras por castigo.
Punida pela mesma vergonha, punida pelo mesmo segredo de outro, escondido.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Na lama...

Sinto que sinto algo mas não o sinto completamente.
Existe algo que me incomoda mas não entendo a sua fonte
É como se uma vontade de esquecer me devorasse mas no fundo finjo querer lembrar.
É como estar em uma batalha, um constante impasse, a me debater e a relaxar.
Vejo que nada enxergo e que no fundo nada espero.
Penso que na verdade estou vazia de pensamentos.
Como cada pedaço indigesto só pra ver se passa o nó na garganta.
Mas no fundo me desespero com o excesso de paz que isso me causa.
Cheiro cada perfume mas não há um sequer nas minhas lembranças.
Escuto as mesmas músicas, mas nada ouço e nada me cansa.
Escrevo e uso sinônimos para entrar de vez na dança.
Mas quem é que vai querer dançar comigo pela eternidade a mesma música?
Por fim me revolto e me devoro regurgitando a mesma ideia.
Com outra cara, com outra raiva minto dizendo que renasci das cinzas.
Pobre alma plastificada.
Mesma história.
Mesma sina.
Não me diga novidades, pôs te falta a capacidade.
É tudo falso, é tudo velho, é tudo passado.
É tudo mentira!


segunda-feira, 1 de abril de 2013

E num turbilhão abstrato te extraiu em sentimento e palavras. Você aí encrustado em mim.

Preciso dizer que não costumava marcar as datas.
Olhar pros lados.
Buscar no espaço, espaço para dois.
Esperando em tempo retilíneo.
Comendo os pedaços da vida devagarinho.
Pra sobrar caminho pra nós dois.
Eu não olhava nos olhos mais de três segundos.
Não aceitava a dor da saudade.
Só me incumbia de esquecer o destino.
Passava solta, como areia entre os dedos dos amantes do mar.
Como fumaça dos carros que somem em pleno ar. Mas sujam o ar.
Eu soprava palavras de amor ao vazio esperando que a resposta nunca ecoasse.
Eu perdia meu tempo em camas bagunçadas.
Me divertia sem vontade de explicação, drama ou castigo.
Agora espero seus passos seguirem o meu no mesmo ritmo
Teus olhos me decifrarem
Tua vontade bater com a minha
Povoar da gente nossa cama até então vazia.
Hoje ando solta, com dedos entrelaçados.
Cheia de sorrisos e saudades.
Cheia de alegrias e dúvidas.
Buscando aprender a verdade que nunca se quis
Que nunca se viu.
A verdade que não admito
Mas que a cada dia me invade.
Enfim... Esse é o fim.
Porque esta dita verdade será admitida somente pra você e pra mim.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Vermelho.

Já é tarde meu bem. Já é pra mim.
Ontem pensei ter visto o céu mas era só chuva. Só nuvem escondendo o universo.
Pensei ter visto teus olhos mas no fundo eram só capricho. Rio profundo escondendo o mundo.
Quando nos encontramos você sorriu e sob as árvores eu pensei ter encontrado par.
Agora acho graça, rio alto pra desculpar as lágrimas que rolam.
Ultimamente faço dessas coisas motivo. Motivo pra seguir, pra sorrir, pra amar, pra sofrer, pra chorar.
Escrevo incansáveis versos e percebo que isso tudo é medo. E ao ler mais esse meu medo aumenta, mas no meu íntimo nem ligo, assumo. Já conheço esse estado. Sempre fujo, sempre me pego.
Se passa um dia sem que eu te perceba ao redor começo a cair.
Se a luz do celular não brilha as sete eu logo penso onde andará.
Se do nada se torna lacônico em pedacinhos me leva pra um canto vazio, onde afasto tudo do meu coração.
E quando me vejo entregue e você some tudo desmorona. E então vejo que aquela vontade de gostar de verdade era desculpa, mentira que escondia que já te adoro. Já te quero.
E agora o passado me toma, e me lembro desses momentos tão presentes. E dos enfins e fins que a minha vida tomou.
Então penso, falo comigo e espero com a insensatez de menina, esperançosa de que meus planos se cumpram.
Pena que nada acontece como planejo.
E o que me resta? O que posso fazer além de continuar, de esperar que tudo tenha um final feliz?!
A verdade é que ando sem vontade de me frear. Então já não importa mais o que há de passar ou ficar.
E quantas vezes já se foi? Quantos sabores deixando seu gosto amargo e o vazio pela manhã?
Já não tenho dedos ou meios para contar.
Então escolho sentir, me rasgar por dentro.
E com um sorriso no rosto seguir.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Em uma canção de amor, o que há?

E se me enchesse de dedos? E perdesse totalmente o que tenho e o que há por vir?
Se num segundo te adoro, em outro minuto qualquer choro. Já não sei pra onde ir.
Se acredito que te quero. No fim nada resta além de espera.
Se hoje te amo, amanhã com teu sorriso simplesmente me canso.
Se nesses versos enxerga canto, talvez seja o rapaz certo para este tanto, tanto cheia de sentimentos dos quais nem conto, dos quais me espanto.
Se não te largo nenhum momento, logo o sono me toma e prefiro minha cama quente.
Se tua voz me era calmaria, certo dia nela tudo me irrita.
Se me conheço tempestiva e luto de todas as formas para ter-te comigo. Agora já estou cheia deste momento tedioso que tem sido dividir as tardes contigo.
Me dói nunca conseguir estar.
Me dói a dor de querer e não querer ficar.
A vida sozinha não é nada além de saudade e vício.
Sinto falta da saudade.
Sinto falta do meu vício.
Minha sina além da febre branda é sofrer como castigo auto-imposto. No mundo se sentir sozinho.
Abandonado de mim sigo como cão sem lar. Mendigo. Bicho sem abrigo.
Carente de carinho afasto as mãos que me dominam.
Pobre de espírito me delimito a medir o querer em superfície lisa.
Ai como eu te admiro, a simplicidade. Um sentimento num suspiro.
Me perdoe por listar meus mal fadados espinhos.
É que tão somente olho em teus olhos e me vejo mentindo a verdade.
Tomando como minha verdade aquilo que logo mais não sinto.
Desculpa.


quinta-feira, 14 de março de 2013

Saudade de você

Dos caminhos que nos levam a compartilhar as noites escuras.
Das árvores e do vinho tinto.
De descordarmos e não guardarmos nossas vontades. Ou rancor.
Da amizade que nos mostra inteiros.
Sinto falta de chorar contigo e rir de bobagens.
Adoro como somos diferentes. Como tua calma me invade e minha efervescência te faz sorrir.
Gosto de como você (não) faz a barba, do seu jeito rebuscado de falar e quando me trás novidades.
Espero que você dê de volta a metade dos passos que nos afastam e me espere em um buteco qualquer que eu chego lá.
Espero que a gente faça as viagens que combinamos enquanto divagamos em filmes tolos e sushis no mesmo prato.
Quero pra mim de volta todas as suas dúvidas, sua sabedoria de menino/homem que viveu mais na alma que na própria vida, que ainda é tão curta.
Quero te dar mais uma vez minha intenção, minha boca, olhos e ouvidos, meu abrigo e minhas covinhas de menina boba ao escutar de uma maneira carinhosamente ácida que só a gente entende que tudo em mim deveria te irritar, e que não amaria ninguém mais que fosse assim como eu.
E você bem sabe como meus dias seriam monótonos com alguém como você. Que não fosse você, é claro.
Vamos correr e quem sabe mais tarde dá tempo de um abraço, uma confidência, um trago, um riso alto.
Você, meu amigo, sempre vai ter um pedaço meu. Isso porque uma vez nos táxis da madrugada eu realmente te vi. E agora é simples como respirar esperar mais um dia pra gente "siamá"

<3 p="">

quarta-feira, 13 de março de 2013

A nossa história.

Um dia a gente se encontra
E num futuro distante te conto como foi
Passar pela vida inteira sozinho sabendo o que é procurar por você.
Um dia a gente se vê
E de mãos dadas seguiremos em frente
Porque a vida faz isso, e quando vemos já foi.
Um dia a gente se beija
E as palavras serão substituídas por olhares
E o tempo nos leva sem querermos sair do lugar.
Um dia a gente se desentende
Porque as pessoas são diferentes
E as experiencias nos trouxeram de outro lugar.
Um dia a gente vira as costas
Porque apesar do amor o orgulho é mais forte
E fracos que somos voltamos a nos perder.
Um dia a gente sente saudade
E percebe que além das lembranças nada vale a pena
E nossa distância é só vaidade
Que não vale viver sem o seu querer bem.
Um dia a gente desiste da burrice e corre
E com sorte teremos um último vislumbre do paraíso aqui.
E então graças a Deus.
Então adeus
Adeus a vida
Adeus você
Foi um prazer.

terça-feira, 12 de março de 2013

Amor a vida. A vida que se põe. A vida que se tem.

Andando. Vivendo. Correndo. Pare!
Olhe. Acorde. A paz te pesque e renda.
Mil rendas sobre teu corpo cigano.
Lábios se movendo e eu simplesmente amo.
Me perco na luz deste canto.
Tudo gira. Tudo em movimento.
Canção antiga invadindo o peito.
Os pés desnudos batendo o mesmo piso frio.
Eleva a alma. Acalma o corpo. Desprende a mente.
E de repente sente.
Então não invente desculpas esfarrapadas pra voltar.
E o vento te leve. E você leve já não percebe o peso da vida.
Não me deixa. Não se deixe. Me pega pela mão e vai. E vem.
Cola em mim e diz.
Em palavras indizíveis não saímos do lugar.
Me vira. Revira. Encontra. Que eu canto. Eu grito. E tudo muda.
E tudo vivo. E tudo segue. E tudo aqui.
Se já estamos assim, pra que parar?
Se já podemos nos ver, pra que fugir?
Se já conseguimos tocar, pra que mentir?
Se já sabemos amar, pra que calar?
Se a vida invade o quarto, pra que se fechar?
Só podemos aceitar que as vezes as coisas podem simplesmente acontecer.
E de manhã o sol traz Deus pela janela. E não precisamos saber.
Então que algo mais nos segure ao chão. Porque acho que um passo a mais e vamos flutuar nessa intenção. Intenso.
E a vida não é mais o que foi. E não precisamos saber.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Acorda.

E não é que o tempo passa. As pessoas mudam. E num turbilhão de sentimentos agudos teu instinto paira. Aguarda. Em agonia e gozo o ser humano tenta. Luta. Vai cavando a vida como minhocas na lama, buscando ar. Buscando cama. Leito quente. Amor perene.
E a cada lance o tempo muda. E as pessoas passam. E a cada passo um novo rastro. Novo erro. Ou acerto. Sua consciência é escrava e ama. Quando pensa ter achado a resposta sua cabeça vira. Seu âmago revira e a pergunta muda. Sua boca muda de mil pensamentos abstratos. Sua alma cala diante do abismo revelado. Do movimento impulsionado em frente o ponto final estático. Do momento exato da escolha plena. Pois este é o rei da ambiguidade. Vive a procura. De escolha tola em escolha tola se afasta da verdade. A verdade que tanto busca. É assim, como se alimentasse sua doença enquanto busca a cura. Encontra-la. Mera balela de quem tapa o sol com meias verdades. Meias vontades. Quem se engana com o discuso do leão covarde que habita a caverna escura de sua mente distorcida, disfarçada de cabeça pensante. Então, antes de achar que a sua descoberta foi feita, que suas idéias são tão perfeitas, antes de se desfazer do seu semelhante perceba nele o mesmo viajante, perdido em busca abrigo no coração alheio, pois no próprio corpo por vezes nos sentimos forasteiros. Divida com ele o mesmo medo. Pois eis que somos apenas pedaços de carne vagando. Milhares de pensamentos vagando. E a única coisa real neste plano são as atrocidades e caridades praticadas pelo animal humano.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

É só que hoje algo me remete Cazuza!

"Fim
A noite acabou feito gim
Espuma branca lavando o meu pé
Os amigos de sempre já tão indo embora
E o garçon fecha o bar
Mal-humorado e cansado
Será que você não vê
Que o teu lugar é do meu lado?"
Vivo atrás do que sentir
Sentir forte até que transborde
Eis aqui seu último presente.
Quando me disse sem porque ou porem
Como se tudo fosse natural
A partida de parte do meu querer bem
Em um segundo mil lembranças
Parece bobo e clichê, esse é o mal de quem te adora.
Agora mais calma recebo o que sente
E percebo outra vez que em parte me parte
Mas sem ele és parte e te quero inteira!
Prometa apenas guardar a boa lembrança
Leve um pouquinho de tristeza ao deixar aqueles que ama
Somos mais do que palavras, o que vivemos fala por mim
E apesar do meu carinho ao descrever o que sinto
Ao terminar quero que levante os olhos, estarei na sua frente, de braços abertos.
Todos te encorajando, uns rindo outros chorando.
Bem, eu já chorei!
Chorei ao escrever,
Chorei porque te amo.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Sinuoso

Com toda certeza outro sabor, outra energia. Te provo em fluído e em risos distraio a melancolia. És minha fração matinal de alegria.
Se não peço, invado, ainda vejo em teus lábios satisfação e confusão. Que mesmo perdido responde em toque a outra língua.
Se tua pele é o oposto, me completa em forma e gosto e nos tomamos em sinergia.
Sinto que em tua mão tremo, como barro me modela, me encaixa e respondo obediente a minha pulsação crescente.
O que espero é despir o segredo e acorda-lhe com um beijo pra livrar-me de vez desta agonia.
Como sempre me perco em perguntas, se também sentes o que me percorre, se o teu querer perdura.
Mas calo o pensamento. Desta vez só quero ouvir o centro e desejar nossas peles nuas.
Uma cama. Um cigarro. Nossos corpos molhados.
Nada de romantismo barato. O único poder que espero sobre mim é o do teu....
Enfim



terça-feira, 20 de novembro de 2012

Cada passo sofrido. Vivendo e esquecendo. A busca da inexistência.

Não cobre-te de mim. Das minhas lágrimas. Só esquece de tudo. Segue em frente que não te convém guardar as mágoas. São minhas de direito.
Engraçado sentir-me assim, Fraca. Não de pensamentos, ideias, sabe?! Fisicamente, eu digo. Parece que não posso dar um passo, tudo dói, passar todo dia e avistar tudo que eu tinha e não tenho mais, mais dor. Não tenho vontade de ocupar este lugar no espaço, de consumir este tempo com minha existência rala.
No começo eu te disse o que seria, eu avisei. Você me fez desmentir tudo, acreditar num futuro claro, e pra que? Eu digo! Não é nossa culpa, nem tua. Sei que sentimos, dissemos, vivemos. Mas agora já foi. Como toda beleza se esvai, efêmera. Porque o sentimento é do mundo, e não há no mundo o que não seja mutável  fluido, vago. Vagando neste momento entre meus dedos, e ainda assim, mesmo que eu me corte, sei que o sangue e tudo isso que nem consigo explicar é passageiro. Mas é que é tão injusto comigo querido. Não tu, eu não o culpo. Mas tudo. Me vejo traída por mim mesma, meus princípios  No fim eu estava certa. E escrever é minha única alternativa. De resto só sobra a ferida aberta no meu peito, que procuro fechar de qualquer jeito. Na companhia dos amigos, pois na solidão eu sempre choro, e já não sei se lágrimas me restam. Eu danço, meio sem jeito, agonia em cada movimento, mas me apego na tentativa de expulsar os demônios. No destilado despejo minhas lembranças, é assim. Em outros corpos fujo de mim. Infelizmente, em todos eles sinto teu cheiro. E por enquanto não esqueço, nem sei se gosto ou odeio. Gostaria de ter prazer, mas no momento tudo é esforço. A dor só tinha lascívia no teu corpo.
Mas deixa quieto, deixa disso, porque eu sei que esse fim não é o primeiro. Logo o amor, a dor, o choro e o que mais for vai ter por dono outro nêgo.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Ultimas considerações

Novamente naquele momento, onde nada disso me dá prazer. Escrever só pelo ato, com medo dos clichês.
Mais uma vez acordar e dormir assim. Chega a ser cômico sentir exatamente a mesma dor. Então eu sei, é outro amor.
E de amor em amor a vida toma gosto. E de dor em dor sinto que em parte morro.
E gravar na pele nunca fez tanto sentido. E se não tem céu nem inferno pra que continuar existindo?
Eu vivo.
Vivo porque é assim que me inspiro. Porque eu sei da verdade do que sinto. Porque sou vaidosa e preciso ouvir outros lábios recitando o que acredito.
Eis o lucro de escrever sentimentos. Não há quem não tenha uma fração do que digo no peito. E por dentro a alma embriagada de vinho tinto, ou devaneios baratos (tanto faz) toma em melodia a flor, e esquece os espinhos. E viver por um segundo é leve e divino. A poesia faz isso com a gente. Nos exalta, nos rebaixa, mas não importa. Somos levados, ludibriados pela beleza do escrito.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Sangria

Cumpra-se em mim a tua vontade. Da carne.
Em partes desiguais me engole inteira. Anceia.
Nua sob teu peso, introduz o castigo. Divino.
O grito em gemido irrompe do peito. Ao meio.
Em tuas mãos me ampara e depois me domina. Inclina.
Na tua boca conselho, saliva e meus seios. Deleito.
Desce em língua ao ventre e entre. Meus medos.
Depois pára e me vira.
Perdão;
De joelhos me calo;
Espero;
Então o desejo. O arrepio e o choro baixo.
Mais forte.
Suplico.
E depois o ambíguo.
A dor e a volúpia.
O profano e o santo.
Humano.